quarta-feira, 12 de outubro de 2011

...história da vida real...



Às vezes embarcamos numa vida repleta de acontecimentos tão importantes e tão intensos, que nada mais existe ao nosso redor. Entramos de cabeça numa sucessão de sentimentos egoístas onde nossas mágoas são as mais profundas, nossas feridas as mais doloridas, nossos amores os mais devastadores e nossa história a mais tocante. Daí no meio de uma multidão, ou enquanto você abre a página do Facebook, você percebe o quanto está enganada. O mundo está repleto de pessoas apaixonadas, pessoas mais felizes e mais tristes do que nós.  Pessoas com histórias mais doloridas ou muito mais tocantes. Pessoas desiludidas, outras transbordando de amor correnspondido. Aí você cai em si e percebe que o mundo não gira em torno de você e que existem inúmeras histórias deliciosas aí, prontas para serem apreciadas. Como essa linda história VERÍDICA do meu amigo André Valongeiro. Me emocionei tanto com ela que depois de enxugar as lágrimas, pedi autorização para publicá-la aqui no blog. Espero que vocês também gostem.


André Valongueiro e Shirlene Mafra



Há exatamente um ano e dois dias atrás, em 10/10/2010, embarquei com mais dois amigos para o Rio de Janeiro para assistirmos a nossa banda do coração: o Rush! 

Eu e Wagner tomamos os nossos lugares e, logo atrás de nós, Bacalhau sentou ao lado de uma mulher com ar de cansada e que nitidamente estava "puta da vida" por que nós não parávamos de conversar em volume um pouco mais alto e reproduzir passagens de músicas do Rush, batendo nas cadeiras e emitindo sons com a boca. Era a Dra. Shirlene Mafra, que, se não me engano, havia acabado de sair de um plantão e desejava apenas dormir tranquilamente no avião durante a viagem para o Rio de Janeiro, onde participaria de um congresso. 

Lembro claramente do comentário de Wagner: "Mago, essa doida aí de trás tá invocada com a galera!" Nós rimos e continuamos a bagunça assim mesmo! Bacalhau como cascateiro de "primeira linha" - ele, na verdade, é péssimo com as mulheres - logo tratou de colocá-la em nossa conversa. [Obrigado, Bacalhau! =D] 

Eu estava todo remendado: um dos braços completamente ralado, o outro recém-tatuado e com um um dedo do pé quebrado e enfaixado dentro do tênis, fruto de uma queda de bike no dia anterior. Quase perco o vôo nesse dia! 

Eu e ela conversamos muito pouco, mas fui muito esperto e consegui um endereço de e-mail em um momento apropriado da conversa. E na segunda-feira seguinte, quando fiz login aqui no Facebook, ela já havia me adicionado e logo em seguida começamos a conversar no chat. 

Eu havia dito o meu nome completo uma única vez durante uma brincadeira no avião e ela o havia memorizado. Me achei o fodão! [hahaha] Marcamos um cinema no dia seguinte e o resto da história foi o tradicional: "começamos a namorar, tivemos momentos incríveis, viajamos juntos..." Também apresentei a ela o poderoso e devastador Death Metal e tentei mostrá-la o quanto Maria Gadú é "xarope", assim como 90% da nossa MPB atual. [hahaha]

Hoje, 12/10/2011, um ano e dois dias depois do episódio do avião, ela está indo embora. Moçambique é o seu destino e a sua missão é auxiliar portadores do HIV a, de alguma forma, viverem melhor. Missão épica e brutalmente respeitável! Estou tão triste quanto orgulhoso. E para acalmar um pouco o espírito, resolvi escrever esse longo texto, pois escrever me faz muito bem! =) 

Assim é a vida. E não é sábio querer lutar contra tudo. Desejo a ela toda felicidade e sorte do mundo, com toda sinceridade que possuo! As pessoas que a esperam em Moçambique sem dúvida precisam dela muito mais do que eu. Eu vou me virar sozinho! Combinamos que esse não seria um "adeus", mas um "até logo". Um "até logo" que certamente custará a passar, mas que certamente passará! A minha querida namorada Shirlene Mafra vai me fazer falta, muita falta, mas eu vou me virar sozinho! 

Essa foto estava "perdida" em meu celular. A qualidade é péssima, mas lembro que ela foi tirada aqui em casa, na primeira noite em que ela esteve aqui para me buscar e sairmos juntos para jantar. 

...Histórias da vida real! Há milhares delas por aí, mas acho a minha bem interessante.


André Valongueiro



O texto original foi postado pelo André AQUI. 
E vocês podem acompanhar alguns dos textos dele neste link: http://www.valongueiro.blog.br/   

Uma carta à minha infância

Eu, em 1989, 2 anos.


Cara pequena,

Não perca tanto tempo planejando o implanejável, permita-se surpreender.

Não se cobre tanto, pelo menos não o tempo todo. Isso ao tempo que te faz melhor, também te desgastará com o passar dos anos.

Não segure as lágrimas quando elas vierem, mas tenha certeza que elas não são pelos motivos errados, pelas pessoas erradas.

Viva sua idade, não perca tempo desejando ser mais velha. O futuro não aguarda nada de fenomenal além daquilo que você anda plantando hoje, enquanto se sente desejosa pelos anos a frente.

Você SEMPRE será diferente. Aos 3, aos 8, aos 12 e também aos 23. Tentar se misturar a multidão, além de desgastante, será trabalho perdido. Aceite suas diferenças e conviva com elas de forma amigável. Não demore tanto pra entender isso.

Em certas coisas, você vai demorar mais tempo que os outros para vivenciar. Nada que você possa fazer vai mudar isso. Na verdade, é melhor que não tente mudar mesmo. Mas não se desespere, isso não vai te fazer melhor ou pior que ninguém. Só diferente. E isso não é ruim. Só diferente.

Cuide bem do seu coração. Não o entregue assim facilmente, não acredite assim tão piamente e, principalmente, não seja assim tão extremista. Do ódio até o amor existem nuances que podem valer a pena serem exploradas.

Quando aquela sua velha tristeza chegar perto, não ignore-a. Trate-a bem. Tente entendê-la, pois você irá ter que conviver com ela ainda por muitos anos.

Pare de discutir com o espelho, tudo tem seu tempo. Com os anos você vai passar a se aceitar, cada vez mais um pouquinho. Não vale a pena o desgaste, se com o tempo tudo se resolve.

Cuidado com as amizades. Se elas te cobrarem ser algo que você não é, nem quer ser, abra mão delas e siga em frente sozinha. Vá se acostumando, que sozinha você será por muitos anos.

Meta a cara e saia sozinha. Não espere a companhia de ninguém. O mundo não é tão assustador quanto parece. E a sensação de solidão no meio da multidão não é assim tão devastadora. Tem até sua beleza.

Controle seus instintos. Eles podem te trazer arrependimentos e embaraços sem tamanho.

Por mais maravilhoso que possa ser o futuro que você vai ter, ele nunca terá as cores, o aroma nem todo esse brilho que você sonha. Não quer dizer que você vai se frustrar, mas tente não desejar tanto. Não tão perfeito. Pois nada do que você vai planejar vai acontecer como você quis, ou no momento que você pensou. Mas no final tudo vai dar certo. Só não da forma que você pensou. Então não aposte tão alto assim neste futuro que você conjectura. Prefira viver melhor o seu presente.

Enfatizando ainda mais: viva bem hoje, para que vinte anos depois você não olhe pra trás e veja um monte de anos borrados, corridos, sem fôlego e sem muito sentido.

Você não é responsável pela sua família. Eles é que são responsáveis por você. Você não tem idade nem a obrigação de levar a estrutura psicológica de uma família inteira nas costas. Então, quando você se cansar de escutar, grite. Quando não quiser mais se calar, fale. Eles não são de vidro e você não é um poço fundo onde qualquer um pode chegar e jogar suas lamúrias. Você já tem seus problemas. Não compre os problemas de mais ninguém.

Nada na sua vida é permanente, então pare com essa mania besta de andar com sapatos de lã pelo cascalho. Fale o que pensa e duvide dos outros. Acreditar demais só vai te trazer prejuízos.

Você é chata por natureza mas com os anos isso vai atenuando. Então não se cobre tanto, não acredite quando sua mãe falar que você é insuportável. Você já suporta o mal humor de todo o mundo, então tem todo o direito de ser chata quando der na telha. Isso não vai te fazer uma pessoa pior. Com o tempo você vai entender seu mundo e a convivência será um troço mais fácil.

Dezessete não será uma idade mágica. Assim como vinte e três também não. Nenhuma idade é mágica. A cada ano acontecem maravilhas e desgraças em igual dose. Não se encante nem se venda pela possibilidade de um futuro melhor, mais  bonito ou alegre... Tente fazer isso hoje.

Quando te disserem que te ama, duvide. E quando disserem que te odeia, acredite. Não insista em ninguém. Ninguém. Siga em frente como você sempre fez. Com o tempo, toda dor passa.

Ainda sobre dores: nenhuma dor é tão grande que você não possa suportar. E nenhuma vai durar um segundo a mais que o tolerável. Elas passam. Por mais terríveis e permanentes que pareçam ser. Elas passam e depois não sobra nem o nome, ou a cor dos olhos. Passa e você nem sente falta depois.

O seu conceito de liberdade e independência estão furados. Encontre outro.

E o principal: faça seus planos e viva sua felicidade sozinha. Não espere por ninguém que não vai chegar. Se concentre na sua felicidade unitária. As demais coisas podem ser acrescentadas depois disso.


Aldrêycka Albuquerque

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

...I'm vanishing

"You become more beautiful every year. Every grey hair, every line... Everything that happens to you makes you so much more desirable and I feel like if you would blow on me, I'd vanish, I'd disappear. I felt so invisible, so old."
Trecho do filme Chloe (O Preço da Traição)
"Você a cada ano está mais lindo. Cada cabelo branco, cada marca de expressão... Tudo que acontece com você te deixa mais atraente; e eu sinto como se você soprasse em mim, eu desapareceria. Me sinto tão invisível, tão velha." 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

20 anos depois. 2 pessoas... Um dia.



Lembro muito bem. Lembro claramente do barulho da corrente de espinhos que me prendeu a ele. O dia, talvez não precisamente. O momento do gatilho que fez meu coração parar, talvez eu não saiba dizer exatamente. Mas lembro do sorriso, de quanto o vi pela primeira vez, do evento desencadeador de tudo o que fomos, e somos hoje. Não quero esperar vinte anos pra viver UM DIA. Preciso viver agora, com o que tenho. Preciso me virar sem ele. Desatar as correntes. Urgentemente.


Dica de LIVRO e FILME.

domingo, 2 de outubro de 2011

Setenta e tantos



O efeito de uma lente indiscreta



Eu que por anos venho implorando ao teus pés que me ame, que me aceite como sou.
Amando cada expressão tua, cada fio do teu cabelo, cada tom da tua voz.
E eu que por tanto tempo vim te amando, te aceitando com todos os teus defeitos.
Decorando cada palavra tua, cada música nossa.

Eu que por tantas noites procurei a lua na tua ausência,
Torcendo para que estivesse cheia e trouxesse tua sanidade de volta.
Amarguei cada noite sem luar, cada letra sem melodia, cada olhar vazio seu.
E eu que me alimento ainda mais da sua ausência do que da tua constância.
Cresci meu amor por todos os lugares onde você não estava, te deixando cercado.

E você que me pediu pra te deixar. Você que diz que já não ama, já não pensa, já não sente.
Me cercou te todo amor e desejo que pôde me incitar. Depois foi embora.
E eu que construí um castelo com todo amor que consegui extrair destes anos todos à tua espera.
Construí pra que você o destruísse.
Construí cada um dos meus sonhos pra que hoje você pudesse cantar uma música sem sentido pra mim, depois virar as costas e sair sem data pra voltar.

Exagerei nas palavras, no que sentia, no que via através dos teus olhos.
Construí um você pra mim, diferente de tudo o que você um dia já supôs ser.
E eu que era segura de mim, que não me entregava em águas turbulentas ou barcos naufragados,
Fui ser tua sem permissão.
Me passei por louca, infantil, imbecil e apaixonada.
Escutei mais algumas dúzias de palavras duras e humilhantes.
Daquelas que vez por outra você diz, e que em pouco tempo eu as subestimo e esqueço.

E eu que mais uma vez dei espaço para você se sentir livre para ir embora e voltar quando sentisse minha falta.
Ou pelo menos quando te desse na telha.
Também fui embora e tranquei a porta, mas deixei a chave reserva naquele lugar de sempre.
Torcendo pra você aparecer naquelas noites chuvosas, com o cabelo pingando e sem muitas palavras ou justificativas.
Simplesmente voltar. Por mais alguns dias, uma noite...
Até você por abaixo o que resta desta minha construção. Deste amor que construí sozinha.
Amor que te espera, que sofre, que me dá enjôo. Amor que te perdoa, mas nunca é perdoado.
Meu amor que é imenso como o oceano, mas que sempre se perde ao som da tua voz.

E enquanto você me pede pra ir embora, pra que eu me livre de você, eu estou sentindo teu cheiro doce.
Estou lembrando das tuas mãos nas minhas. Teus ombros, teus braços...
E por mais que você me diga que existam tantas outras, e que tua cama nunca permanece fria por muito tempo,
Ou que teus lençóis trazem paixões e perfumes mil, eu não te escuto.
Eu finjo que isso tudo é prova pro amor que construí, e te deixo ir embora mais uma vez, já imaginando o dia que você estará de volta.

Devo ser doente - não apenas louca ou infantil.
Devo te amar mais que a mim, e isso é que está me envenenando e me afastando de você.
Isso quer dizer que se um dia eu deixar de te amar, não foi porque você me pediu,
Nem por eu ter [enfim] queimado o que restou do nosso castelo de mentiras.
Eu só deixaria de te amar depois de tomar meu próprio veneno por tempo demais.
Quando toda essa dor de não te ter por completo, acabar de vez comigo.
É quando vou deixar te amar.
 Até lá, deixarei a luz da salinha acesa. A chave debaixo daquele vaso na varanda.
Volte quando estiver pronto pra ser amado sem reservas.



...setenta e tantos motivos pra não falar mais dele...






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para meu fantasma preferido



Isso soa como idiotice, mas ultimamente eu tenho me imaginado de frente com você, tocando no violão suas músicas favoritas. Será que você desviaria o olhar se eu cantasse para os seus olhos? Não sei tocar violão.
 
Queria já estar acostumada com o barulho que você deve fazer quando coloca as chaves em cima da mesa, ou saber que você chegou de ouvir o som da porta bater. Mas nossa rotina não se cruza dessa maneira.
 
Acho que nunca te contei, mas eu ainda acordo de madrugada procurando seu cheiro nos lençóis. É que o seu nome ainda não consegue me descrever seu perfume. Tem noites que paro pensamentos em como eu gostaria que meu travesseiro fosse seu peito, porque nessas últimas semanas, eu tenho dormido de lado só para que você caiba na minha cama.
 
A verdade é que paraliso toda vez que passo por alguém que tenha nos cabelos e olhos a mesma cor dos seus. E quando já nunca te esqueço, todo canto me faz te lembrar, você cabe em todos os lugares. Bem que poderia estar aqui para apagar as luzes e beijar a minha boca.
 
O que será que você faz enquanto escrevo? Tenho inveja de qualquer um que te conquiste a atenção, e tenho ciúmes de todos os seus sonhos. Tenho raiva daqueles que te querem, e tenho vergonha de admitir. Tenho muito medo dos seus planos e de não estar neles. Tenho tanta sorte de me sentir como sinto, mas sei também do azar que é não poder te encaixar o tempo todo aqui comigo. Tenho pensado bastante em nós e no que – ainda – não somos. Odeio estar tão apaixonada, mas é o que mais me faz sorrir.


O título original deste texto é PARA UM DOS MEUS FANTASMAS, e encontrei perdido aqui: http://meuretrato.wordpress.com/2008/08/05/para-um-dos-meus-fantasmas/

domingo, 18 de setembro de 2011

Cansada




Como eu posso te deixar em paz se você também não me deixa?
Você não tem o direito de sumir meses a fio, depois aparecer do nada.
É injusto, é triste, é dolorido.
E se você se esquiva de minimamente conversar, eu nunca vou poder fechar esse ciclo e seguir em frente.
Você parece confuso. Desarme-se ou me deixe ir embora.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

I've been here before



I don't know why I'm scared,
I've been here before,
Every feeling, every word,
I've imagined it all,
You'll never know if you never try,
To forgive your past and simply be mine,
I dare you to let me be your, your one and only,
Promise I'm worth it,
To hold in your arms,
So come on and give me a chance,
To prove I am the one who can walk that mile,
Until the end starts
Adele - One and Only

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pessimismo e um coração instável



Podem me chamar de pessimista, mas aguardo notícias boas esperando elas darem errado. Por mais certeiras que pareçam, sinto que a qualquer momento uma geladeira vai cair do sétimo andar, e tudo vai dar errado. As vezes penso em meteoros também, esmagando a todos. :D

Pode ser um resultado de um teste, ou uma resposta de alguém que esperei por três anos. Tudo  de errado pode acontecer, inclusive nada acontecer! A lua pode nem aparecer e tudo terminar mal.

Por mais que eu conheça bem de projeções e ilusões, não consigo me manter afastada delas. Daí quando elas saem desse patamar para se configurarem realidade, ainda questiono se tudo não é mais um devaneio. Ah, esse meu jeito maluco de ser...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

My sweetest downfall


Era meio dia e dez minutos. Eu ia atravessando a rua Imperial, quando o chão do Recife Antigo se abriu e de lá se transfigurou quem eu menos esperava. E em questão de horas, três anos de história foram abalados.  
Can I breathe now?


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Café e livro velho




Beatriz custou a acordar naquela manhã. Se revirou na cama alguns minutos, tentando encontrar por ali algum punhado de sono, mas não achou. Sentou-se na cama, e suspirou: esse seria um daqueles dias nostálgicos com gosto de café e livro velho. Daqueles que mesmo com sol e calor lá fora, você sente aquele frio na espinha. Na verdade, Beatriz se sentia imersa num profundo Outono. Despedaçando restos secos do passado numa tentativa desesperada de abrir passagem pra uma primavera longínqua que ela não sabia quando, mas tinha certeza que iria chegar.

Pulou da cama pro chuveiro. Tentou lavar dali toda a angústia. Quinze longos minutos depois, saiu de lá enrolada numa toalha vermelha, secando os cabelos com a toalha que Pedro sempre usava quando estava por ali. Ainda friccionando freneticamente a cabeça, passou pela estante do quarto, e puxou um livro da Jane Austen. Pelo estado que estava aquele livro, parecia velho o suficiente para o dia de hoje. Talvez fosse um transtorno psicológico, mas pra Beatriz angústia combinava bem com livro velho. Provavelmente o cheiro de livro velho fosse uma forma involuntária dela se lembrar que as mágoas do seu passado se foram, mas as cicatrizes ainda doíam. Sacou da gaveta uma camiseta, vestiu o jeans que tinha jogado em cima da cadeira na noite anterior. Saiu trotando pela escada, agarrada com Orgulho e Preconceito, que já tinha lido tantas vezes que o livro estava só bagaço. Tomou um copo de café, e saiu caminhando pelas ruas que conhecia tão bem, mas que naquele dia pareciam tão pouco familiares.

Ao subir no elevador panorâmico do escritório onde trabalhava, Beatriz se lembrou dos dias em que contava telhados por entre os vidros da janela do seu quarto. Teve vontade de chorar. Relembrar os dias em que seu coração ainda não tinha tantas cicatrizes, dias em que sua família ainda estava por perto, e quando ainda sentia o calor da segurança que seus pais transmitiam. Agora ela estava sozinha, e a única pessoa que a fazia lembrar do conforto que era ter uma família, tinha desaparecido como quem se teletransporta para outra galáxia. Como isso poderia ser possível? Um dia ele reclamava por ter que tomar banho com o sabonete com aroma de baunília dela, e como isso o deixava irritado, como é que ela não sabia comprar um mísero sabonete sem cheiro de comida. No outro dia ela se acorda sem ninguém resmungando no box do banheiro. Como pode ser possível perder alguém que era tudo na sua vida, e simplesmente não cair morta na mesma hora? Como ela conseguia respirar, ficar de pé e ir trabalhar? Como é que ela se atreve a ler um livro e caminhar viva pelas ruas? Como é que toda sua vida é sugada por um buraco negro e ela consegue estar de pé? A porta do elevador se abre, e Beatriz volta do seu devaneio ainda com os  olhos marejados.

Ela sai andando pelos corredores do prédio como que no piloto automático, vai até sua mesa, e desaba na cadeira. Pelas próximas oito horas ela teria uma bela válvula de escape para se entreter. Pilhas de papéis, prazos e projeto para entregar. Nada melhor que o trabalho para te fazer esquecer que você tem uma vida.

Aldrêycka Albuquerque

Autumn



Hoje é um daqueles dias nostálgicos. Com gosto de café e livro velho. Daqueles que mesmo com sol e calor, você ainda se sente no inverno. Na verdade, ainda melhor: você se sente no Outono. Despedaçando restos secos do passado, abrindo passagem pruma primavera longínqua.

Aldrêycka Albuquerque

sábado, 10 de setembro de 2011

Don't you remember?


Ando lendo os livros errados, escutando as músicas erradas e assistindo aos filmes errados. Daí vez por outra você volta a minha memória, e perguntas inquestionáveis voltam a me assombrar. "E se"s aos montes. E se daqui há alguns anos? Mais três anos, talvez? Seriam suficientes pra te fazer entender, ou pra te dar coragem suficiente?




"I know I have a fickle heart and bitterness,
Eu sei que eu tenho um coração inconstante e amargura
And a wandering eye, and a heaviness in my head,
E um olhar perdido, e um peso em minha cabeça
But don't you remember?
Mas você não lembra?
Don't you remember?
Não se lembra?
The reason you loved me before,
O motivo de você ter me amado?
Baby, please remember me once more
Baby, por favor lembre-se de mim mais uma vez

Adele - Don't You Remember

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sobre Ilusões




A última vez que me senti assim foi quando não passei no vestibular da UFPE, em 2005. Uma piscadela e vi que tinha o mundo sob meus ombros.

Seis anos se passaram e eu já tinha até esquecido como era dar meu melhor, e me surpreender ao ver as coisas fugirem do meu controle.

Mas hoje estou mais esperta. Não precisarei de mais seis anos para entender que o controle SEMPRE é uma ilusão.

Coração aos pulos



A menina que corria com o coração nas mãos.

Ela estava sempre correndo, mas sempre muito cuidadosa. Algo muito importante e frágil ela carregava. Para cima ou para baixo, com o coração nas mãos ela corria.

Quem passava e olhava para ela, não conseguia entender ao certo o que acontecia. Estaria ela cansada de tanto correr? Estaria ela desesperada por consertar seu coração? Aquilo era um pedido de socorro, que em troca ela oferecia seu coração?

Na verdade ela só tinha pressa de viver de todo o coração, mas toda aquela respiração acelerada e o coração aos pulos próximo ao estômago, apenas trazia aos outros os mais diversos questionamentos. Deslocados, fora da realidade.

Ela deu seu melhor. Ela se doou. Ela bebeu cada segundo, cada palavra. Absorveu cada respiração, cada pedaço de informação. Mas não foi julgada por quem se tornou, porém por quem era. No final das contas de nada se valeu a evolução e o crescimento, quando o peso com a qual foi medida não passou de um vazio estático.

E foi assim que ela cedeu seu lugar a alguém inferior. Ela preferiu mostrar as palmas das mãos limpas, e sob elas seu coração aos pulos. E então perdeu por ser ela mesma. Sem máscaras. Por se mostrar humana. E o pior: perdeu, mesmo sendo boa. Perdeu e nem pôde pensar no que poderia ter sido melhor para reverter o caso. Ela assinou sua carta de perda no momento que entrou, e só percebeu isso agora.

Mas apesar do coração cada vez mais pesado, valeu cada segundo.



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Mas uma daquelas perdas que são a troca para ganharmos coisas maiores.
Não caber sempre é ruim. 
Mas quando é porque somos maiores do que deveríamos, parece doer mais.

The trick of love is to never let it find you


INDIANA - Jon Mclaughlin

I'm glad i never lived next to the water
So I could never get used to the beach
And I'm glad I never grew up on a mountain
To figure out how high the world could reach
I love the miles between me and the city
Where I quietly imagine every street
And I'm glad I'm only picturing the moment
I'm glad she never fell in love with me

For some the world's a treasure to discover
And your scenery should never stay the same
And they're trading in their dreams for Explanations
All in an attempt to entertain
But I love the miles between me and the city
Where I quietly imagine every street
And I'm glad I'm only picturing the moment

I'm glad she never fell in love with me

The trick of love is to never let it find you

It's easy to get over missing out
I know the how's and whens, but now and then,
She's all I think about

I wonder how it feels to be famous

But wonder is as far as I will go
Because I'd probably lose myself in all the Pictures
And end up being someone I don't know.
So it's probably best I stay in Indiana
Just dreaming of the world as it should be
Where every day is a battle to convince myself
I'm glad she never fell in love with me

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Hold My Breath



I've spent all my life holding my heart. Right now all I'm trying to do is to hold my breath. 'Till day August 11º, I'm in suspense and all my life in suspended.
-drêycka

domingo, 31 de julho de 2011

[Resenha] Razão e Sensibilidade - Jane Austen


Razão e Sensibilidade
Jane Austen


Esse clássico escrito pela lendária Jane Austen, narra dois anos da vida de duas irmãs: Marianne (17 anos) e Elinor (27 anos). As duas tem personalidades bastantes diferentes uma da outra. A mais jovem é a sensibilidade em pessoa, já a mais velha é a racional.
Elinor e Marianne - Filme

Como todo o livro de Austen, a história acontece em torno de famílias ricas e pobres, amores e casamentos. Especificamente, Marianne com sua avassaladora paixão pelo belo jovem Whillouby, e por sua vez Elinor com seus sentimentos maduros pelo Sr. Eduard Ferrars.

Um pedaço pequeno do início do livro trata de explicar a relação de Elinor com Eduard. Eles convivem um pouco tempo na casa do irmão de Elinor, tempo suficiente para eles se interessarem um pelo outro. Na relação dos dois não houve nenhum tipo de promessa ou atitudes que pudessem dar a um ou a outro a certeza de um relacionamento amoroso. Ambos simplesmente se interessaram. Achei que o livro trata muito superficialmente desse relacionamento no início. Pois bem, rapidamente Eduard Ferrars viaja, e perde totalmente o contato com Elinor.

Pouco tempo depois chega a vez de Marianne. Ela conhece o jovem galanteador Whillouby e vive com ele uma paixão avassaladora, regada a passeios amorosos, música e muitos poemas. Ela não consegue acreditar como pode ter tanta sorte com tal relacionamento. “Ele é exatamente igual a ela!”, pensaria Marianne. Ambos são intensos, exageram em cada sentimento, e mergulham de cabeça em cada segundo que passam juntos. Além dele gostar das mesmas músicas, mesmos livros e mesmos poemas que ela, ainda (de quebra) é extremamente bonito. Pois bem, depois de uma curta temporada (porém mais longo que o tempo em que a irmã conviveu com o Eduard Ferrars), o jovem Whillouby também viaja bruscamente sem deixar muitas explicações para a apaixonada Marianne.

Bem, aqui começam os spoilers. Quem não quiser ler, pode parar por aqui.

sábado, 30 de julho de 2011

If you just realize what I just realize...




Even though still a sweet idea, you're not so much necessary to me anymore. 
No more chills when you're around, what a great found!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dia do amor. Do amor facinho.

Eu pouco me importo se hoje é dia do amigo. Prefiro falar de amor. Amizade também é amor, não é? Segue texto do IVAN MARTINS, mais uma vez.



O amor bom é facinho
Ivan Martins

Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?


Eu suspeito que não.

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.


Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?


Minha experiência sugere o contrário.

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.


Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.


Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?


Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?


Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.


Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?


Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.


IVAN MARTINS É editor-executivo da REVISTA ÉPOCA.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Aníver de 4 Anos do Blog!


Dia 07/07/11 (quinta-feira passada) este ilustre blog fez 04 anos de aniversário. E eu, dona relapsa que sou, esqueci completamente. Lembrei hoje, por acaso!

Mas antes tarde do que nunca... Parabéns ANOTHER THOUGHTS... Mais um ano de amores, temores, tristezas e alegrias. Que venham muitos outros.

\o/ Drêycka

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Love and Leave

Scattered Trees


Novidade. Através de uma boa sessão de troca de experiências musicais no WAVELENGTH [excelente site que encontrei essa semana], me recomendaram o SCATTERED TREES. Uma banda americana show de bola. Além da música ser excelente, o clip é fora de série. A pegada nerd-geek me fez apaixonar. Fica a dica.