sexta-feira, 4 de maio de 2012

Numb



I have nothing to say. I already said everything that could be possible and even more . But everytime I get closer, I feel every cell of my body get numb. And your face, your face so sweet and grave. How could I forget your deepness in those eyes? How do I supposed to forget you, if the moon still brings you back to me? Your absence fulfill me, your presence kills me softly.

*

domingo, 29 de abril de 2012

I'm gonna follow you into the light



In the morning it comes heaven sent a hurricane
Pela manhã o céu traz um furacão

Not a trace of the sun but I don't even run from rain

Nem sinal do sol, mas eu nem corro da chuva

Beating out of my chest, my heart is holding out to you
Batendo pra fora do meu peito, meu coração está esperando por você

From the moment I knew
Desde quando eu conheci


You're the air in my breath

Você é o ar que respiro

Filling up my love soaked lungs
Enchendo meus pulmões encharcados de amor

Such a beautiful mess intertwined and overrun

Que bela confusão interligada e transbordante

Nothing better than this

Nada melhor que isso

Ooh, and the storm can come
Ooh, e a tempestade pode vir

You fell just like the sun
Você caiu assim como o sol

Just like the sun
Assim como o sol


And if you say we'll be alright
E se você diz que ficaremos bem

I'm gonna trust you babe
Eu vou confiar em você, amor

I'm Gonna look in your eyes
Eu vou olhar em seus olhos

And if you say we'll be alright
E se você disse que ficaremos bem

I'll follow you into the light
Eu te seguirei para a luz


Nevermind what I knew nothing seems to matter now
Não se importe com o que eu sabia, agora nada mais parece importar

Ooh, who I was without you?
Ooh, quem eu era sem você?

I can do without
Eu posso fazer sem

No one knows where it ends how it may come tumbling down
Ninguém sabe onde isso termina, como isso pode vir a desmoronar

But I'm here with you now
Mas eu estou aqui com você agora

I'm with you now
Eu estou com você agora


Let the world come rush in, come down hard, come crushing
Deixe o mundo se apressar, cair feio, se esmagar

All I need is right here beside me
Tudo o que eu preciso está aqui ao meu lado

I'm not enough I swear it,
Eu não sou suficiente, eu juro

But take my love and wear it over your shoulders
Mas tome meu amor e vista-o em seus ombros


And if you say we'll be alright
E se você diz que ficaremos bem

I'm gonna trust you babe
Eu vou confiar em você, amor

I'm Gonna look in your eyes
Eu vou olhar em seus olhos

And if you say we'll be alright
E se você disse que ficaremos bem

I'll follow you into the light
Eu te seguirei para a luz





quinta-feira, 29 de março de 2012

Field Below



"It is not the mistakes that we make that define us.
It is how we deal with them."


E então acordamos um dia e percebemos que não dói mais, que não roemos mais, que superamos e aquilo que antes incomodava e ardia, hoje não passa de uma cicatriz inofensiva. Mas continuamos olhando para trás. Se não mais para roer, se não mais para se auto-flagelar, agora só para se envergonhar. -"Mas como eu fiz isso? Mas como eu falei aquilo? Mais por que?" Não há nada do que se envergonhar, nada do que se arrepender. O caminho "errado" que você tomou foi o mesmo que te levou para onde você está. Curada. Então estufe o peito e cante uma música. Sorria do que passou, lembre de alguma coisa, se for necessário. Mas nada que te impeça ou te atrapalhe em seguir em frente. Breathe deep and live.

Like ancient bruises
I'm awake and feel the ache
But I wish I'd see a field below
I wish I'd see a field below

Regina Spektor - Field Below

sexta-feira, 9 de março de 2012

A Lua Cheia e a Tua Presença


Ontem, 08 de Março do apocalíptico ano de 2012. Como nas mais diversas vezes, teu fantasma veio me assombrar. Primeiro foram algumas lembranças dando calafrios na espinha, depois a imaginação começou a criar chifres na cabeça de burros e cavalos. E então a inconsequência e o ciúme cuidaram do resto.

Em cada momento importante que compartilhamos a lua cheia estava lá, grande e amarelada pendurada no céu. Antes eu até brincava com tal coincidência. Mas ontem isso me assustou. Não cheguei a contabilizar, mas foram tantas as vezes que você reapareceu das sombras em plena Lua Cheia, que ontem tive medo. E não é por causa daquela minha brincadeira de te chamar de lobo, lobisomen por causa da sua mudança de comportamento nesta fase da Lua. Mas é que agora é meio bizarro.

Na Lua cheia você já falou tanta coisa que eu não deveria ter ouvido... Fez tanta coisa que não deveria ter feito! Oh céus, que força é essa que te influencia? A Lua te faz mentir ou te faz mostrar quem és realmente? O que tem a Lua?

"Cut the bonds with the moon..." Glen Hansard

É este meu mantra agora. Repito ao procurar o que não devo, e dar de cara com rostos felizes e um você talvez até realizado. Um mantra que repito quando escuto tuas antigas palavras no mais absoluto silêncio. Ao descer as escadarias do metrô e dar de cara com aquela rechonchuda pendurada no firmamento, sorrindo da minha tristeza. Corte toda e qualquer ligação com a Lua. Deixe tudo no passado, siga em frente. Deixe mesmo de lado, odeie se preciso.


"...não há civilização no fim do amor, a barbárie e a selvageria sempre prevalecem." Xico Sá


Mas siga em frente, nada que ficou para trás vale mais a pena. Bata a porta e deixe a Lua encher até explodir lá fora.


Aldrêycka Albuquerque


sábado, 3 de março de 2012

Hi there!



Como isso aqui tá parado! Como isso aqui fica parado quando eu tô bem, impressionante!! E aí? Você prefere não sofrer ou estar inspirada?

domingo, 29 de janeiro de 2012

Let's set the world on fire




Tonight
We are young
So let's set the world on fire
We can burn brighter than the sun


WE ARE YOUNG - FUN & JANELLE MONAE

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Quem dera eu ser um pouco Elinor Dashwood




"She was stronger alone, and her own good sense so well supported her, that her firmness was as unshaken, her appearence as cheerfulness as invariable, as with regrets so poignant and so fresh, it was posible for them to be." Sense and Sensibility - Jane Austen

*

"Ela era mais forte sozinha, e o seu bom senso amparava-a tão bem, a sua firmeza era tão inabalável, a sua aparência alegre tão invariável quanto possível em meio a aflições tão recentes e tão amargas." Razão e Sensibilidade - Jane Austen








Elinor Dashwood é a personagem que representa a "Razão" no livro Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility) da Jane Austen. Ela é o oposto da sua irmã Marianne, e é definitivamente a pessoa que mais admiro neste livro. Independente da dificuldade que ela esteja passando, dos conflitos internos que ela tenha de lidar, Elinor consegue ter temperança, segurança e auto-controle. Talvez um pouco demais, você pode me falar, e pode até ser verdade, mas o que ganhamos expondo todos os nossos sentimentos? Que bem nos faz sermos transparentes e vulneráveis? Absolutamente nada. Não nos faria bem no século 17 nem muito menos no século 21. Gostaria muito de ter um pouco mais da Elinor. Conseguir segurar todo esse turbilhão que por vezes me aflige, ou todo esse torpor da razão que muitas vezes me acorda durante a noite. Quisera eu ser Elinor Dashwood.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Catarse para 2012



Este não é o post que eu gostaria de iniciar o ano de 2012, mas infelizmente vai ser. Um momento de catarse que tive ontem a noite, ou melhor, hoje de madrugada, e que quero eternizar aqui no AT. Não precisa dizer para quem foi, pois o blog todo parece que vem sendo dedicado a ele subliminarmente. E que seja, se isso me fizer sentir melhor, mais leve, como me senti assim que mandei isso para ele. Talvez tenha sido só insônia, talvez tenha sido catarse, ou apenas um grito to make you [him] feel my love.
 



..catarse..


Eu não sou louca.
"Eu não sou louca." Isabela Taviani
Já passou da meia noite e não me sai da cabeça as palavras que você me disse (ou escreveu?) um dia em 2008: "eu queria te abraçar agora...". Ninguém que não correspondesse sentimento algum, diria isso em resposta a uma declaração clara e explícita daquelas que eu te disse

"Então estou aqui, escancarando a verdade. Pronta para falar tudo ou apenas pronta para levar um “fora” homérico, mas tentando ser o mais clara possível com você e apelando que você também seja comigo." Do Velho Diário

Eu não estou tendo alucinações, nem lembrando do que não aconteceu, eu tenho plena certeza que um dia eu já cheguei lá. Fui fundo e transpus suas barreiras até te deixar vulnerável. Não foi pena, não foi mal entendido, e, por Deus, não foi maldade sua. Foi correspondência, mexeu alguma coisa aí dentro, mas depois você se acovardou. Lançou mão da minha ausência pra se livrar de mim. E aí? Conseguiu? 

"Deus me defenda de menosprezar os sentimentos afetuosos e fiéis de quaisquer dos meus semelhantes. Eu acredito que vocês homens são capazes de tudo que é grandioso e bom na vida matrimonial. Acredito que são capazes de fazer qualquer esforço importante e qualquer sacrifício pessoal desde que... se me permite a expressão, desde que tenham ‘um objetivo’, ou seja, enquanto a mulher que amarem estiver viva e viva para vocês. O privilégio que reclamo para meu sexo (que não é muito invejável, não precisa cobiça-lo...) é o de ‘amar mais tempo’, quando a existência ou a esperança já desapareceram." Persuasão - Jane Austen

Eu não. Não passa um dia sequer sem que eu me lembre de você. E eu nem me orgulho disso, nem deveria assumir assim dessa maneira. Mas é essa a mais dura verdade, lembro de você todos os dias. Seja por causa da chuva, ou da música, ou do vento, ou da tua expressão que encontro no rosto dos outros... Tudo me lembra você. Mesmo que todas as noites eu deseje que você suma da minha vida; mesmo que suas últimas palavras dirigidas a mim ainda me queimem como se tivessem sido ditas hoje... Mesmo assim você está aqui presente, sempre. E quanto mais eu tento por na cabeça que você nunca sentiu nada por mim; que tudo o que passamos não foi nada demais; que tudo o que você me disse foram declarações conflitantes e sem o menor sentido; ou que você nunca seria biologicamente capaz de sentir metade do que eu sinto por você; ou que eu esteja fazendo tempestade em copo d'agua... Me aterroriza a possibilidade de não conseguir nunca me "livrar de você" (utilizando suas próprias palavras). E talvez ser amaldiçoada para todo o sempre com essa sua ausência absurda. 

"Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração."  Caio F. Abreu

Você poderia ter terminado com isso quando pode. Agora está longe de mim controlar tudo no que se transformou. Tem dias (ou noites como essa) que tua ausência se faz tão presente, que posso até tocar com a mão. E não é loucura, nem infantilidade, como você disse. É puro desarme. É se desprender do racional e se agarrar a uma dúvida, a uma incerteza na qual orbito há 3 anos: você. O cara mais imbecil, mais rude, mais enigmático, mais instável, e o único homem pelo qual, pela primeira vez na vida, - e única até agora - chorei. 

Você não deveria nunca ter me alimentado com suas palavras dúbias. Nunca deveria ter reagido daquela maneira após eu ter te contado o que eu sentia. Não deveria, em hipótese alguma, ter me chamado para o cinema sabendo das cartas que estavam em jogo.  Foi malvadeza, ou simples inconsequência da tua parte. Não tenho toda a culpa de sentir tudo o que sinto. Mas você detém parte da culpa por eu não conseguir te esquecer até hoje. Por me fazer estar à 1 da madrugada digitando tudo isso num tecladinho de celular... 

"Malvadeza, judiar assim. Tenha dó do meu coração. Que desatinou, roeu, que deu pena, amargou essa solidão." Lenine

Mas você não é, nem nunca foi, obrigado a gostar de mim. Você me disse isso, e estou repitindo o óbvio. Mas me mata a possibilidade de que eu  entrei nessa sozinha, como se fosse uma psicótica que entendeu tudo errado. Não foi. Vi nos seus olhos alguma vez, encontrei algo mais do que só um flerte sem outras intenções. Eu não inventei tudo isso., não criei tudo sozinha, não teci a corda pra me enforcar. For God sake, I'm sane. 

"If your feelings are still what they were last April, tell me so at once. My affections and wishes have not changed, but one word from you will silence me forever. If, however, your feelings had changed, I will have to tell you, you have bewitched me body and soul and I love...I love... I love you. I never wish to be parted from you from this day on." Pride and Prejudice - Jane Austen

Meus sentimentos não mudaram desde 2008. Mesmo sem sua presença, o que eu sentia permaneceu. Já você está completamente mudado, pelo menos quanto ao que te permitias sentir (ou fingir?)... Não consegues ser franco, nem me olhar nos olhos. E olha quem fala, logo eu, que vim me escondendo tanto por trás das palavras escritas,  ao invés das ditas pessoalmente, quando tive oportunidade... Mesmo assim quis que você olhasse no meu olho e me dissesse que nunca sentiu nada e que nunca quis nada sério. Vocês não disse, mas escreveu daí do outro lado, sem eu ver a reação dos teus olhos ao dizer tal coisa. Mesmo assim, como eu queria ter entendido e usado isso para seguir em frente... Mas não consegui. 

Tenho saudades de quem não fomos. Fico triste em não ser quem você gostaria que eu fosse. Mas no final das contas eu só vim aqui dizer que eu faria tudo denovo. Todas as babozeiras ditas, as brincadeiras, os textos que escrevi para você, o que fiz e falei. Faria tudo novamente, não porque sou teimosa e insistente (o que sou), mas porquê quando o assunto é você, não tenho outra opção senão ceder. Como quando eu cedo ao encontrar teu sorriso no rosto de alguém, ou teu sorriso no meio da multidão. Ou quando o vento trás teu cheiro na mais estúpida tentativa de me trazer você a memória por mais relutante que eu esteja em lembrar. Talvez eu não fique assim pra sempre. Talvez mesmo feliz e realizada que eu me torne daqui um tempo, eu sempre leve você no bolso, na memória para os dias tristes... Mas sempre estarei a mão o pesar de nunca ter tido a chance de tentar de fato. 

"You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone for ever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me here. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. I must go, uncertain of my fate." Persuasion - Jane Austen

1h27, preciso me decidir se vou enviar isso para você ou não, para então poder ir dormir. Não queria te incomodar com assuntos antigos, logo agora que você deve estar tentando viver coisas novas. Sua faculdade acabou e o mundo todo agora está nas suas mãos. Pode sair do emprego, sair do recife, ir pra fazenda, criar um projeto social de educação infantil... Está tudo aí nas suas mãos and no strings attached. E eu só espero que você fique bem, que tenha uma boa vida. Que encontre alguém que te ame de verdade, e que você sinta o mesmo. E que construa uma família, que tenha filhos. E que depois olhe pra trás e se orgulhe da vida que escolheu. Que você nunca esteja sozinho. Que tenha sempre alguém para amar, compartilhar e construir. E por fim, que se lembre que um dia alguém te amou de forma não planejada e sem reservas, e que por isso se machucou. E que sua ausência ainda a consome. Que você talvez nunca vá poder entender ou mensurar, mas que poderia simplesmente não subestimar.

E não pense que eu sou uma louca, mesmo tudo indicando que sim... 


 A. Albuquerque

sábado, 31 de dezembro de 2011

2011 Vai Passar



Escolhi para terminar o ano, um texto do Caio Fernando de Abreu que eu já tinha postado aqui. Mas é que ele apareceu nas minhas mãos novamente ontem e percebi que ele é perfeito para a virada. Ele é bem a cara do meu 2011, bem do jeito que eu vejo 2012. Um tanto amargo, mas simples e do bem. Espero que gostem da leitura.

Quanto a todos, inclusive para mim, quero que 2012 nos pegue de surpresa. Nos surpreenda. De uma forma boa, lógico, mas INUSITADA.

Bjs! Até o ano que vem!!!

Aldrêycka




 2011 Vai Passar


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca".

Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. 

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. 

E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. 

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim: - "... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ..."


Caio Fernando de Abreu

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Words mean something to me"



A melhor cena do filme "Rumour Has It" (Dizem Por Aí) com Mark Ruffalo e Jennifer Aniston. Cenas como essas é que "pagam o filme". Perfeita!

Sarah (Jennifer Aniston) recebe um pedido de casamento do seu namorado, o Jeff (Mark Ruffalo) bem na semana do casamento da irmã dela. Ela aceita, mas guarda a aliança sem querer tocar no assunto com sua família. Quando viaja com Jeff para sua cidade natal para o casamento da irmã, Sarah pede para ele não contar do noivado para sua família, que eles iriam contar a notícia depois. Jeff não gosta muito da reação dela. Nem naquele momento, nem nos próximos dias. Desde o casamento da irmã Sarah se mostra ansiosa e cheia de dúvidas, até que some por uns dias, e ao procurá-la Jeff a flagra com outro cara. Ela tenta se explicar, mas ele não consegue entender. Tentando tocar na ferida que ele percebeu que iria mais doer nela, falou que se ela realmente o amasse, que eles casassem naquele momento. Ela arregalou os olhos e mais uma vez mostrou medo quanto ao casamento dos dois. Então ele foi embora. Ela percebe o erro, e vai até o apartamento dele, então se dá o seguinte diálogo:







Sarah Huttinger:   
If you shut the door, I understand, but I really hope that you don't.
Se você fechar a porta eu vou entender, mas eu realmente espero que você não faça isso.

I know there's nothing that I can say that will take away...
Eu sei que nada que eu diga pode apagar...



Jeff Daly:   
Then don't try.
Então nem tente.
 
I never told you, when I was a kid I was in a car accident when I was 10.
Eu nunca te falei, mas quando eu tinha 10 anos de idade, sofri um acidente de carro.

And I smashed my head on the dashboard and cracked my skull split it open from here to here, 17 stitches.
E eu bati minha cabeça no painel do carro e quebrei ossos do meu crânio daqui até aqui, levei 17 pontos.

And I never thought that I would long for that day until now.
E eu nunca imaginei que sentiria aquela dor novamente, até o dia de hoje.



Sarah Huttinger:   
It didn't mean anything.
Aquilo não significou nada.



Jeff Daly:   
It meant something to me. 
Significou para mim.

Words mean something to me.
Palavras significam algo para mim.

"Engaged" means something to me. 
"Noivado" significa algo para mim.

It doesn't mean "maybe I'll get married". 
Isto não significa "talvez eu me case".

It doesn't mean "I'll see how I feel, I don't know, I'm not sure".
Isto não significa "Eu vou ver como eu me sinto, eu não sei, não tenho certeza".

And it definitely doesn't mean "I'm gonna test the waters and see if there's somebody else out there that I like better".
E isto definitivamente não significa "Eu vou olhar por aí e ver se existe outro alguém aí fora que eu goste mais".

It means you've fallen in love with the person that you wanna spend the rest of your life with and that you actually want to marry them.
Significa que você se apaixonou pela pessoa com a qual você quer passar o resto da sua vida, e que vocês realmente querem casar.



Sarah Huttinger:   
I wanna marry you. 
Eu quero casar com você.

I'll marry you next month, I'll marry you this week. 
Eu caso com você no mês que vem, eu caso com você essa semana.

I'll walk out of this apartment right now and I will marry you.
Eu saio deste apartamento agora e caso com você.




Jeff Daly:   

It doesn't work that way, okay? 
Isso não funciona assim, ok?

You can't just walk in here now and tell me that you can't live without me and expect... What am I supposed to do with that, Sarah? 
Você não pode simplesmente vir aqui agora e me falar que não vive sem mim e esperar que eu... O que eu deveria fazer com isso, Sarah?

I'm supposed to make it all right for you? I can't anymore.
Eu deveria consertar as coisas com você agora? Eu não consigo mais.



Sarah Huttinger:
   
I don't want you to. 
Eu não quero que você conserte nada.

I love you. 
Eu te amo.

I didn't come here to tell you that I can't live without you.
Eu não vim aqui para te falar que não consigo viver sem você.

I can live without you. I just don't want to.
Eu consigo viver sem você, eu simplesmente não quero.





Perfeita!!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

[RESENHA] Alta Tensão – Harlan Coben




Nesta aventura do conhecido personagem Myron Bolitar, nos deparamos com uma trama envolvendo segredos familiares. O drama se desenrola em torno de se questionar se o amor verdadeiro sobrevive a sinceridade total. Seja o amor entre parentes, quanto o amor entre um casal. Myron tenta descobrir segredos que envolvem Brad, seu irmão caçula e que não tem contato há 15 anos, Suzze, sua cliente e amiga e também sua cunhada problemática Kitty.

Seguindo a linha já conhecida do Harlan Coben de tratar de desaparecimentos, ALTA TENSÃO – ao meu ver – foi o livro menos envolvente do autor. Dos cinco livros dele que já li, acredito que esse não tenha tido uma trama tão imprevisível e de tirar o fôlego como DESAPARECIDO PARA SEMPRE, NÃO CONTE A NINGUÉM ou mesmo CILADA. Apesar disso o enredo é bem escrito e todos os mistérios no final são revelados, uma característica muito positiva do autor.

Outro ponto muito legal, que acredito que dá ao leitor uma pitada de familiaridade em qualquer livro do Harlan, é que às vezes um personagem secundário de um livro aparece de surpresa em outros. Um exemplo é a advogada durona Hester Crimstein, que aparece nos títulos ‘Não conte a ninguém’, ‘Confie em mim’ e ‘Cilada’. No caso de ALTA TENSÃO, a personagem que aparece de surpresa é a agente de polícia Loren Muse, que também fez parte da trama de ‘Confie em Mim’. Gosto muito desses personagens secundários visitando outras histórias, faz você se identificar com aquele livro no mesmo momento.


Ao meu ver este não é o livro de Harlan Coben que eu categorizaria como MUST TO HAVE, daria apenas um NICE TO HAVE, pois ele te ajuda a entender mais da vida do Myron Bolitar, um personagem chave do Harlan Coben que aparece em pelo menos quatro títulos: 'Quebra de Confiança' (primeira história do Myron), 'Quando ela se foi,' 'Alta Tensão' e 'Shelter' - que ainda não chegou no Brasil. Então, é bom que você tenha lido ALTA TENSÃO para entender os meandros psicológicos do personagem que parece ser a “aposta” do Harlan. Não sei se a idéia do autor seja criar um Robert Langdon do esquecido Dan Brown, o que eu acho uma péssima idéia. Diversos livros com o mesmo personagem pesam a leitura, dão gosto de “trilogia” e carimbam um leve teor de previsibilidade aos enredos. Tanto é que Dan Brown só se arriscou em dois livros. Harlan Coben já está no quarto, e eu estou um tanto pessimista quanto a isso. Não que eu não tenha gostado do Myron Bolitar, pelo contrário, pra mim ele é a própria mistura do mistério de George Clooney com toda a virilidade e aparência física de Javier Bardem, ou seja, delicinha. Mas é que 4 enredos com o mesmo personagem principal me desestimula.

Javier Bardem daria um excelente Myron Bolitar


Enfim... Leiam e tirem suas próprias conclusões quanto ao livro! Leitura rápida, leve e com gosto de Harlan Coben – não tem como ser ruim!

QUOTES:
 "A morte não faz a pessoa parecer mais nova, nem mais velha, tranqüila ou agitada. A morte faz a pessoa parecer vazia, oca, como se tudo houvesse ido embora, como uma casa subitamente abandonada. A morte transforma o corpo em um objeto - uma cadeira, um arquivo de pastas, uma pedra. 'Porque você é pó e ao pó voltará´, certo?" P.137

"É comum, em momentos difíceis, as pessoas dizerem que o tempo cura todas as feridas. Conversa fiada. Na verdade, você fica arrasado, se entrega ao sofrimento e chora até achar que não vai conseguir parar nunca mais - e então chega a um ponto em que o instinto de sobrevivência assume o controle. E você para. Simplesmente não quer nem consegue se permitir mais "entrar em contato" com a dor, porque ela é grande demais. Você a bloqueia. Você a renega. Mas na verdade não se cura." P.44

"Então, amigos de verdade. Você deixa que eles saibam o que há de pior dentro da sua cabeça. Tudo o que há de mais repugnante. (...) E sabe o que é mais estranho nesse tipo de relação? Sabe o que acontece quando você se abre totalmente e deixa o outro ver que você é uma pessoa decadente? (...) O seu amigo gosta ainda mais de você. Com todas as outras pessoas, você arma uma fachada e esconde as coisas ruins para que elas gostem de você. Mas com os amigos de verdade você revela seu pior lado e isso acaba conquistando o afeto deles. É quando deixamos cair a fachada que conseguimos nos conectar aos outros. Então eu pergunto a você, Myron: por que não fazemos isso com os outros?" P. 29

Aldrêycka Albuquerque

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

::..low rising...::::...




I wanna sit down and talk...



Cold Shoulder







"You grace me with your cold shoulder
Você me agracia com seus ombros frios
Whenever you look at me I wish I was her
Todas as vezes que você me olha eu gostaria de ser ela
You shower me with words made of knives
Você me rega com palavras feitas de navalhas
Whenever you look at me I wish I was her"
Todas as vezes que você me olha eu gostaria de ser ela
 
Cold Shoulder - ADELE




sábado, 24 de dezembro de 2011

X-MAS



Hoje é o dia que oficialmente, você para e reconhece que não é nada, que não tem nada sem a misericórdia d'Aquele que um dia morreu na cruz pelos nossos pecados. No Natal a gente se prostra, agradece e se humilha, no Ano Novo a gente se compromete a ser alguém melhor, e muda. Caso contrário, é tudo em vão.

Feliz Natal.




UP AT 00:09 (25/12) - Shift+Del e em questão de milissegundos ele deixou de existir. Para que 2012 venha zerado. Sem nenhum encosto e ainda por cima com mais espaço em disco.

UP AT 22:47 (25/12) - E dei Shift+Del porque só DELETE iria me levar a responder se eu tinha certeza de mover aquilo pra lixeira. E então a resposta seria não. Eu não tenho certeza se quero movê-lo para qualquer outro lugar. Dessa maneira, o excluí permanentemente da minha vida. E sem pop-ups com questões filosóficas inconvenientes.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Investir no sossego do próprio coração



Investir no sossego do próprio coração é algo tão complexo por causa da sua simplicidade. Porque ser simples é uma das coisas que mais dificulta a nossa vida. Investir no sossego do próprio coração é não abrir uma brecha, que poderá virar uma represa, para alguém que não está disponível afetivamente. É prestar atenção nos sinais e indícios que a pessoa dá, logo nos primeiros encontros, do tamanho do sofrimento ou da alegria que ela poderá lhe proporcionar. É saber-se só em quaisquer situações, mesmo acompanhado, pois as consequências de nossas escolhas são absolutamente nossas.

Investir no sossego do nosso próprio coração é saber que aquilo que está doendo deverá ser extirpado e não manter apego ao sofrimento, por mais que o uso do bisturi cause quase a mesma dor. É proporcionar-se bons momentos divorciando-se de tantos lamentos. É não adiar sofrimento postergando decisões tão necessárias. É não se acomodar com a falta de excitação pelas coisas, pessoas, trabalho. É saber-se merecedor de experienciar um amor inteiro, intenso, extenso, imenso, verdadeiro... Recíproco! É aumentar, um pouquinho a cada dia, o seu tamanho. É ter a certeza e a confiança de que as coisas têm um encaixe, mas que é preciso deixar ir, ou ir ao encontro, ou conformar-se com o desencontro, ou esquecer, ou lembrar-se de outras coisas, ou relacionar-se de outra forma.

Investe no sossego do próprio coração quem não rumina o que machuca, quem não fica descascando a ferida impedindo que a mesma cicatrize, quem não se disponibiliza de maneira subserviente e em tempo integral ao ponto de ser desvalorizado ou descartável, quem não aceita menos do que merece: coisas pela metade. Investe no sossego do próprio coração quem sofre, grita, chora, mas cresce! Quem não se repete, quem se surpreende consigo mesmo, quem trabalha o desapego, quem se abre para as coisas que possuem mais calor e sensibilidade.

Investir no sossego do próprio coração é coisa que não vem com a idade, mas com a ideia de que se pode vivenciar um momento de paz e repouso, é desocupar o peito para abrir espaço para o novo, é entregar-se ao desconhecido com inocência e totalidade, é não ter medo de pronunciar verdades, é ser honesto consigo, com o outro.

Investe no sossego do próprio coração quem não se contenta com pouco.


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

...sobre a dor e o tempo...

 
"É comum, em momentos difíceis, as pessoas dizerem que o tempo cura todas as feridas. Conversa fiada! Na verdade, você fica arrasado, se entrega ao sofrimento e chora até achar que não vai conseguir parar nunca mais - e então chega a um ponto em que o instinto de sobrevivência assume o controle. E você para. Simplesmente não quer nem consegue se permitir mais "entrar em contato" com a dor, porque ela é grande demais. Você a bloqueia. Você a renega. Mas na verdade não se cura."
ALTA TENSÃO - Harlan Coben

domingo, 11 de dezembro de 2011

stunning eyes



"No, indeed, my mind was more agreeably engaged. I've been meditating on the very great pleasure which a pair of fine eyes in the face of a pretty woman can bestow." Mr. Darcy
(Jane Austen)




Como descrevê-los? Aqueles dois olhos inquisidores que podem cortar ao meio minha alma, em metade agonia e metade esperança, como disse Jane Austen. Uma mistura de mistério e desprezo. Algo que me deixa fora do ar, que me convida a me entregar,  a mergulhar. Mas ao mesmo tempo se mostra instável, não confiável, perdido e principalmente, dolorido, ferido, e machucado. Eles me olham através de qualquer multidão, até do vazio: inalcansáveis, incansáveis e cruéis. Os olhos dele. Os que me fisgaram pela alma e me arrastam pela estrada árida da vida até hoje. Como um peixinho se debatendo com o pouco de força que lhe resta, eu me conduzo pra qualquer lugar que possa aliviar a agonia, mas sem acabar com minhas esperanças. Mas não me olha desse jeito, senão troco toda a minha vida, toda minha sanidade só para olhá-lo de volta. Dessa vez serei forte e não evitarei seu olhar. Sustentarei toda essa força que sai dos teus olhos impassível. E oferecerei de volta toda minha vida, minha alma aberta e até meu coração que já é teu. Me censura por ser assim tão louca incansável. Por sentir saudade até do adocicado da tua respiração. Grite, berre, mas depois te cansa e volta.

Aldrêycka Albuquerque



sábado, 10 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Absence



Já faz tanto tempo que não passo por aqui que acho que nem sei mais escolher as teclas certas para escrever algo com sentido neste blog. Se bem que sentido e lógica nunca foram pré-requisito aqui por essas bandas. Acredito que o maior motivo para minha ausência foi minha tola recusa de vir aqui falar as mesmas coisas. Falar de saudade, e propriamente da tal ausência. Mas antes falar de águas passadas (que pelo jeito nem passaram completamente), que deixar o blog entregue as traças. Pois bem, lá vamos nós. 

Glen Hansard e Marketa Iglova não me permitem esquecer dele. Ok, desculpa esfarrapada, a culpa é toda minha. Qualquer música eu faço lembrar de nós dois, simplesmente a bola da vez agora é The Swell Season. =D Não quero escrever nada bonito hoje. Não tenho nada belo com que falar. Por dentro só tenho falta e cinzas. Não dá pra colorir, é dolorido. 

Por mais que não me afete. Por mais que não chore pelos cantos nem fique fazendo plantão no telefone, isso me consome. Alguém ser o dono das minhas lamúrias e alvo das músicas tristes que tanto gosto, é um saco! Quero estar independente. Livre de qualquer memória ou saudosismo. Me enjoa lembrar dele todo santo dia. Não a lembrança dele em si, mas ter que ser ele, ele, ele, todo dia. É chato, enjoado e monótono. Que eu vivo sem ele eu já percebi. Que continuo respirando, sorrindo e quem sabe até amando, eu sei que consigo! Mas o que chateia é a lembrança. Todo santo dia lembrar. Do quê, né? Nem tem muito o que lembrar, mas o que tem se estica, se propaga, cresce e me sufoca. Fico até sem ar só em pensar. 

Acho que essa é mesmo a melhor palavra. Ele me SUFOCA. Longe, perto, ele me oprime e me sufoca em toda sua presença ou por sua completa ausência. Como alguém consegue preencher o vácuo com sua presença e também sua ausência, alguém me explique! Talvez ele esteja aqui mesmo quando está longe. Vai saber. 

Daí qualquer boca, qualquer mecha de cabelo, qualquer micro expessão perdida no rosto de alguém, me faz lembrar ele. Talvez eu já esteja me lembrando de uma memória, não mais dele. Acho que o que me restou foram lembranças de memórias, como fotocópias quase apagadas. Eu preencho as lacunas com imaginação e tenho só pra mim, e para a posteriadade, alguém que eu inventei. Preenchi as deficiências, ausências, indiferenças e flori tudo para que durasse até que a morte me separe de mim. 

Ah, que besteira. Ser sua própria capataz! Quem diria, senhora segura de si e de seus sentimentos. E quem disse mesmo que o controle é só uma ilusão? Foi o Harlan Coben mesmo ou ele só repetiu um senso comum? Whatever, é pura verdade. No final, nunca controlei nada, só me enganei pensando que era alguém que mantia as rédeas dos próprios sentimentos. Ao mesmo tempo que levava cabeçadas e topadas homéricas! Me deixava levar por qualquer sorriso mal intensionado e qualquer olhar de desprezo. Grande! Consegui me sabotar mais vezes do que seria humanamente possível. Qualquer um teria de viver mais umas três vidas para conseguir copiar minhas audácias. Amar quem não deveria e entender tudo errado, sempre! E ainda pior! Insistir, insistir, insistir... 

Quantas vezes prometi apagar o número do telefone? O e-mail? Nem lembro mais! Se bem que uma vez até o fiz. Mas o destino se encarregou de reaver os números e os e-mails. E as fotos? Jesus, eu tenho problemas! Já ouvi falar de psicopatas muito mais ajuizados!!! Ainda reuno forças para deletar aquelas fotos como até já fiz uma vez, mas uma força maior me desencoraja. Da vez que apaguei, o destino mais uma vez se encarregou de trazer outras novas e mais "matadoras" ainda. Talvez isso é tudo medo de esquecê-lo por completo. Como se isso fosse possível, né? Olho a pasta de fotos ali, meio aberta projetanto uma mínima visualização das imagens que estão lá dentro, talvez um pescoço, uma canela, barba... Nossa, quem sabe outro dia eu apago. Tenho vergonha, sabia? Se um dia ele descobre que guardo fotos, ele teria ainda mais medo de mim do que já tem hoje. Ah, sim, o medo dele. Esqueci de falar, mas eu sou intimidadora e louca. Sou louca, descontrolada, quase uma psicótica comprovada. 

#Mentira, né? Isso só é algo que tento acreditar para que se explique tanta recusa e medo sem sentido do idiota em questão. Pois sim, não acho que ele seja um príncipe encantando. Muito menos a última coca-cola do deserto. Na verdade tenho plena certeza que existem pessoas infinitamente melhores e mais promissoras do que ele. Acredito até que um dia acharei uma dessas pessoas e viverei feliz para todo os sempre. O que me assusta é mesmo assim, tê-lo ali, sempre a espreita. Com um sorriso cínico no rosto como quem diz "nunca vai deixar de pensar em mim, né? bobinha!". Como se ele fosse tudo isso, mesmo. Como se tivesse sido assim tão maravilhoso para não sair mais da vida de alguém...  E nem é.

Enfim. Por hoje é só. Tão infantil esse post parecendo "My dear diary". Mas bem, tô mais leve umas 12 gramas depois disso. -MENTIRA. Mais pesada, talvez.

A.A.