sexta-feira, 28 de novembro de 2008

:: Do velho diário

O tempo vai passar você vai ver
Então por que já não saber de vez
Você está tão longe de entender
O que eu falo bem diante de você
(...)
Talvez eu siga sem você daqui pra frente
A vida tem caminhos muito desiguais
Disseram que você só fala em mim
Agora veja como a gente foi ficar
(...)
Não mandei você ir embora
Nem falei que podia me esquecer
Vou sorrir pra tristeza agora
Vou viver os meus dias sem você
Só fala em mim - Ana Carolina

Mais uma da série "cartas que não te mandei".
Espero que curtam.


Toda a verdade

Talvez essas palavras apenas sirvam como massagem para seu ego, pois talvez elas de nada valham pra você.
Talvez essas palavras entrem num ouvido seu, e saia pelo outro. Depois fiquem perdidas no espaço.
Talvez você passe a eternidade tentando entendê-las sem nunca conseguir.
Ou apenas você as guarde para si. Que seja.
Eu queria que você soubesse de algumas coisas.

Eu queria te dizer que desde o primeiro dia que te vi até o dia de hoje eu tenho te “decorado”. Tenho te guardado de pedaço em pedaço dentro de mim.
E foi assim, meio que inconseqüentemente que eu me peguei pensando em você. Dia a após dia.
Me peguei te admirando. Me descobri admiradora. Admiradora do teu sorriso, da tua gargalhada, do teu jeito de andar, do teu jeito de reunir as palavras numa frase.
Comecei a adorar teu papo, tuas piadas fora de hora, tua intelectualidade sexy, teu jeito “feudo” de ser. Comecei a me importar com você.

Daí, quando eu percebi, tinha tirado o pé do freio e estava a descambar por uma ladeira que eu ainda nem sei onde vai dar. Foi aí que as brincadeiras começaram a dar lugar a sentimentos.
E eu me encontrei numa enrascada daquelas. Pois você pode ser tudo, menos fácil – você é complicado, e como!

E para “descobrir você”, eu fiz leitura corporal, análise das conversas, medi até as palavras... tudo! Nada te denunciava. Exceto o olhar.
Tudo em você me dizia para eu meter o pé no freio. Sair dessa praia que não era pra mim. Mas tinha o bendito olhar que me fazia pensar várias vezes no assunto.

Já te falei do teu olhar uma outra vez. Ele destoa do resto. Ele fala mais, pensa mais, pede mais. Talvez eu esteja vendo tudo errado. Talvez teu olhar simplesmente me enganou. Mas eu tinha que ir até o “fundo do pote”, como diria o Jabor.

Então estou aqui, escancarando a verdade. Pronta para falar tudo ou apenas pronta para levar um “fora” homérico, mas tentando ser o mais clara possível com você e apelando que você também seja comigo.
Pois a verdade é que eu te desejo, sim. Quero você, sim. Mas antes de tudo te admiro como pessoa, como “entidade” que és, você me encanta.
Além de apostas, além de conversas atrevidas, além de “discursos indecentes” como diria uma música... Além de tudo isso, resta algo que ainda não identifiquei o que é. Mas quero ter muita certeza antes de sufocá-la.

Pode soar brega, romântico, cor de rosa, ou sei lá mais o quê. Mas quem um dia nunca se expôs dessa forma, não é mesmo? O que nos destinguiria das máquinas se não fosse essa disposição em se permitir ser ridículo, se permitir errar, burlar, ir além?
Sei dos fatos. Sei que isso é mais complicado do que parece. Mas veja o meu lado, eu não poderia ir embora sem fechar esse ciclo. Sem por um ponto final consciente. Não preciso de mais um “e se” na minha vida.
Preciso no final do dia suspirar e dizer “fiz o que pude” e ir em frente.

Talvez a conversa não faça florescer nada, mas com um pouco de sorte, talvez eu consiga jogar uma semente aí em você.
Então, por favor. Se você tem dúvidas, fique a vontade para expô-las. Mas no final, coloque um ponto final sem direito a questionamentos da minha parte. Seja claro. Juro que vou embora bem “mais leve”.

Mas se você também está confuso, só te dou um conselho: mergulhe.

13/11/2008
Se um dia você tiver curiosidade de saber o que tanto eu quis te dizer, o que tanto eu precisava te contar, a conversa que eu tanto insisti em ter: Sirva-se. Ela está bem aí, entregue de bandeja. Essas palavras terminaram no fundo da minha bolsa durante dias! Uma hora resolvi perdê-las no espaço - bem aqui, no meu espaço, no meu mundo de infinito particular.

5 comentários:

Tatah Marley's Confissões disse...

Eu simplesmente adorei o que vce escreveu!
realmente quando a gente se prende muito aos 'se' a gente fica em cima do muro.. a melhor sensação é sentir que fez o que devia ser feito. Se deu, deu se não.. paciencia. A vida não para não é?
Tou contigo e nao abro!

Tatah Marley's Confissões disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pavón disse...

As vezes algo nos sufoca tanto que precisamos escancarar, nem que tenhamos que fazer papel de ridiculo, mas precisamos colcoar tudo, despejar, ser claros e transparentes pq o peso deste fardo nao é mais suportável... sabemos que podemos ser ridicularizados, humilhados, motivos de piada mas nada é comparável ao alívio de ter tentado...

Beijos

Gilvan disse...

soh nao vou ficar muito meloso, pq tudo q queria te falr, falei no msn..
ALOHAAA...

bjs

João Eduardo disse...

Simplesmente formidável...