quarta-feira, 11 de março de 2009

:: duas gotas de meloncolia ::


MADRIGAL MELANCÓLICA

O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza

O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas

O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz

O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é A VIDA !!!


Manoel Bandeira

4 comentários:

Caroteno disse...

muito bela escolha no poema. parabéns.

bjx pra vc tb

''[G]ü[R]ÿ disse...

vc ta cada vez mais "apaixonada" ... q bom, adoroo.. felicidades
bj bj
alohaa

Drunken Alina disse...

Que lindo!!!

Cruela Cruel Veneno da Silva disse...

seguinte,


pode meter a mão no blog do beto tá?

beijos